A sinceridade de uma melodia é difícil de medir, subjetiva demais para definir um artista. Mas é o substantivo adequado para introduzir a Trida, nova banda do multi-instrumentista Vitor Trida, que apresenta nesta empreitada toda a bagagem artística e experiência adquirida dos tempos em que fez parte do lendário Os Mutantes. Em menos de três anos – a banda nasceu em 2014 -, todos os esforços resultaram no álbum “Things Molecules Do”, lançado em 2016 nas plataformas digitais, e agora em formato físico, numa embalagem digipack. São 10 canções cantadas em inglês, com texturas repletas de momentos cativantes numa agradável mistura de rock, pop e funk americano, entre canções agitadas, baladas e outras tipicamente rocker. Acessíveis, mas ricas em detalhes, as melodias acolhedoras em cada verso e refrão tornam a Trida uma banda única no rock nacional. Além de Vitor, que canta, toca guitarra, piano e violão, a Trida, formada na cidade de São Paulo, também é Paulo Roveri (guitarra), Helcio Filho (baixo e backing vocais) e JP Silvestre (bateria e percussão). A Trida conta também com a participação de duas exímias vocalistas, Mariel e Ariane Ramalho, que complementam nos backings e deixam o som ao vivo fiel às gravações. Autêntico e descolado, “Things Molecules Do” envolve pela produção cristalina e pela forma como Vitor transfere às suas composições as referências de Dave Matthews Band, Michael Jackson, James Brown, John Mayer, Jamiroquai. Base roqueira, levada pop e incursões de groove funk justificam cada uma das citadas influências que brilham no material de estreia do quarteto. Cada música tem uma história, conta Vitor, autor de todas as composições de “Things Molecules Do”.“’Imagine Us’ é a primeira do disco, mas só foi gravada quando já estávamos mixando as demais. A música me veio num relâmpago, e não pude negligenciar. Voltei pro estúdio e a gravei”, conta o músico, que ressalta a naturalidade das coisas. “Nenhuma das músicas foi ‘pensada’, no sentido de ter uma mente produtora por trás ditando o que vende e o que não. As músicas fluíam na minha cabeça, e tudo que eu fazia era traduzir em notas”. Com a formação estabilizada, entrosada e disco nas mãos, a Trida quer envolver platéias – em casas de shows ou em festivais ao ar livre. A EXERIÊNCIA ‘MUTANTES’ – A Trida praticamente nasceu no estúdio de Sérgio Dias, um dos mentores dos Mutantes. Vitor conta que os violões em “Things Molecules Do” foram gravados lá – bases que serviram de alicerce para o resultado final de cada composição. Mas a história com o mundialmente famoso Mutantes – ícone de uma geração setentista e referência até hoje na história da música no Brasil – começou em 2006 e rendeu a Vitor – até a saída em 2014 – a experiência de, juntos, gravarem álbuns e excursionar pelo país e ao exterior. “Mutantes foi o avião que me levou até os 30 mil pés de altura e me empurrou lá de cima. Comecei a ser músico quando entrei na banda, ou seja, esses 8 anos foram minha escola. E apanhei um bocado, principalmente no começo, pra acompanhar aqueles caras que já tinham tanta estrada e eram exímios musicistas”, revela Vitor, hoje um exímio multi-instrumentista. A experiência necessária nos Mutantes e a decisão correta de buscar o próprio caminho no universo musical fecha um ciclo para que outra se inicia. E assim surge a Trida, de um turbilhão de conquistas e a partir da maturidade e aperfeiçoamento de técnicas de Vitor. “Tudo isso serviu, e serve ainda, de uma tremenda base pra mim. No entanto, é engraçado que, musicalmente, não tenho muito a ver com Mutantes. Esse meu primeiro trabalho não remete ao som dos tropicalistas em absolutamente nada, talvez. E junto com toda a bagagem musical levei também a emocional, claro, que se provou tão importante quanto na hora de eu me virar sem o guarda-chuva Mutantesco sobre minha cabeça”, destaca o músico.
















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